Fé e Pompa no Primeiro Círio

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No dia 3 de novembro, um sábado à noite, a transladação foi realizada, saindo a imagem, às 20h30, da residência da família Serra e Silva, à Travessa José Serafim Gomes Coelho, Largo dos Inocentes, área atrás da Igreja São José. O povo conduzia archotes e cirios porque, naquela época, Macapá não possuía luz elétrica. O trajeto da transladação foi curto. Passando ao lado direito da igreja, seguiu pela avenida Siqueira Campo (Mário Cruz), dobrando a direita na rua Souza Franco e depois a à avenida Amazonas, chamada pelo povo de Rua da Praia, em direção a casa do Cesário dos Reis Cavalcante, onde foi montada uma singela ermida, que acolheu a Virgem de Nazaré até o dia seguinte.

O dia 4 de novembro de 1934 raiou esplendoroso. Como dizia o poeta Carlos Cordeiro Gomes. ”o sol apresentava-se bochechudo”, certamente solidário ao povo daquela homenagem à Nossa Senhora de Nazaré. As seis horas, os foguetes estouraram, anunciando o amanhecer e convocando os devotos para a procissão. Às oito horas, teve início a majestosa romaria. ”A frente do cortejo ia um piquete formado por 60 cavaleiros armados de lança que, com clarins e fanfarras anunciavam ao povo a passagem da procissão. A seguir vinha o anjo Custódio, imagem colocada sobre o dorso de um boi manso chamado Beleza, seguido de uma corte de anjinhos ricamente trajados. Depois, o ”carro de milagres”, onde se via uma reprodução da imagem da Virgem, que salvou a vida de Fuás Roupinho. Marujos carregavam barquinhos voltivas, em ondas e maresias, dando um cunho pirotesco à procissão. Por fim, a Berlinda puxada à corda por devotos, acompanhada de autoridades e do povo.

Durante o percurso do Círio, a banda de música tocava hinos em louvor à Nossa Senhora. No fim da procissão houve Missa e depois o leilão, repetido na segunda-feira, dia 5, pela manhã. A festa durou apenas 8 dias, com terços, ladainhas e cânticos. No arraial, havia brincadeiras diversas, vendas de produtos da região e comidas típicas.

No dia 5 de novembro foi realizada a festa de São José que, naquele tempo, celebrava-se na mesma ocasião. No dia 11, domingo, houve Missa e Te Deum e, à tarde, procissão em redor da Praça Capitão Assia de Vasconcelos (Veiga Cabral).

Na segunda-feira, 12 realizou-se o Recírio e a imagem retornou à casa da família Serra e Silva.

No Círio de 1937, a comunidade financiou a compra de uma imagem, colocando-a sob a guarda do padre Felipe Blanck. A compra foi feita em Belém, de onde veio também a berlinda.

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