Mensagem de Dom Pedro José Conti para o Círio de Nazaré de Macapá 2020

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MÃE DA VIDA, MÃE DE TODAS AS CRIATURAS

A imagem de Nossa Senhora de Nazaré que levamos na procissão do Círio é diferente de muitas outras, também bonitas e sorridentes: Maria tem o seu filho criança no colo. Ela está numa atitude materna de atenção carinhosa. Acredito que todos nós, em algum momento de nossa vida, sentimos o desejo de um amparo tão seguro e confiável. Quem não gostou, gosta, teria gostado e gostaria ainda de um abraço de mãe? Nada é comparável. Um abraço de mãe enxuga lagrimas, acalma o coração, afugenta o medo.

Sim, o medo, algo que todos nós experimentamos nos dias passados e que atravessou toda a nossa sociedade. O planeta inteiro, podemos dizer. A humanidade toda, tão segura de si, do seu poder, da sua tecnologia, da sua organização, passou pela fraqueza e o desânimo. Medo, mesmo, sem rodeios. Não foi só medo da morte, foi medo de ver desmoronar um sistema aparentemente tão seguro de si, mas despreparado para enfrentar algo capaz de se transmitir de forma tão rápida e traiçoeira. Foi uma verdadeira provação e ainda temos muito trabalho a fazer pela frente.

Voltará a ser tudo igual ou teremos aprendido algo que talvez tivéssemos esquecido? Muitas pessoas foram exemplares na dedicação e na generosidade. Por um bom tempo, muitos esqueceram de si mesmos para ajudar os outros: os doentes, os fracos, os pobres e os milhões de irmãos e irmãs simplesmente esquecidos pelo mundo a fora. Espero que tenhamos descoberto alguns valores como a fraternidade e a partilha, guardados no fundo do nosso coração, mas que, talvez, estavam enterrados sob montanhas de ambições, egoísmos e banalidades.

Quantos de nós, ficando um pouco mais sozinhos e em silêncio nas próprias casas, reconheceram o vazio de suas vidas e o desejo de rezar para Alguém que os lembrasse com amor. Não um Deus milagroso, mas sim um Pai compassivo, que estivesse perto,como uma mãe! É a este Deus misericordioso e compassivo que Maria sempre nos conduz. Ela, a única Virgem Mãe, que teceu no seu ventre a carne do Filho de Deus, obra misteriosa do Divino Espírito. Como Maria gerou e doou vida, também a natureza é sempre mãe: gera, faz crescer e florescer a vida.  Nunca se cansa de doar vida, de muitas formas, com fartura e gratuidade.

Com Maria Mãe podemos reaprender a gerar e a cultivar a vida, toda e qualquer vida, para que a humanidade e a criação inteira sejam mais felizes, unidas e em paz. Sem os vírus da indiferença, da violência e do ódio.

+ Pedro José Conti

Macapá (AP), 1 de junho de 2020

Festa de Maria, Mãe da Igreja

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