O Círio e os problemas ambientais enfrentados na Amazônia

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Por Lorena Lima

O tema do Círio de Nazaré 2019 é “Salve Maria, Rainha da Amazônia Missionária”, o que leva a uma importante abordagem: os problemas na preservação da Amazônia. Extração clandestina de madeira, invasão de terras indígenas, expansão do agronegócio; tudo isso acarreta no desmatamento.

A Amazônia é a maior floresta tropical do mundo, sua área geográfica corresponde a 5.500.000 km². Tem uma rica biodiversidade, e muitas espécies são endêmicas, ou seja, existem apenas naquele ambiente. Por isso, a conservação da floresta é de extrema importância. Ademais, as árvores de grande porte e outras plantas produzem e despejam na atmosfera “nuvens de água” e oxigênio, necessários para o bem-estar humano.

Foto: Gerge Duarte

De acordo com o Boletim da Amazônia legal, “em janeiro de 2019, a maioria (67%) do desmatamento ocorreu em áreas privadas ou sob diversos estágios de posse. O restante do desmatamento foi registrado em assentamentos (21%), Terras Indígenas (7%) e Unidades de Conservação (5%).” Em toda a região amazônica calcula-se que cerca de 26.000 km são desmatados todos os anos.

Uma das principais causas do desmatamento é a extração de madeira, em sua maior parte ilegal. A elevada demanda de produtos madeireiros incentiva a exploração comercial de toneladas de árvores todos os dias. A insuficiente fiscalização de tamanha região florestal facilita a permanência de empresas e organizações clandestinas, essas que extraem irregularmente áreas destinadas a preservação ecológica, exportando para Europa, Estados Unidos e outros lugares do Brasil.

A expansão do agronegócio brasileiro contribuiu para a extração de madeira na Amazônia, tendo em vista a necessidade de áreas para o cultivo de soja, grãos, e animais bovinos. De acordo com um texto de Raphael Martins na Exame, “cerca de 60% das áreas desmatadas abrigam pastos. As terras de pastagem chegam ao esgotamento por completo do solo em oito a dez anos. Como a recuperação é custosa, os agricultores preferem avançar na floresta — primeiro, agem no mercado ilegal de madeira, financiando a criação posterior do gado.”

Uma notícia do G1 de Carolina Dantas, G1 (21/05/2019 05h00) aponta que “áreas protegidas na Amazônia perderam o equivalente a seis cidades de São Paulo em vegetação em três décadas. Foram 953 mil hectares desmatados em unidades de Conservação (UCs), terras indígenas (TIs) e quilombolas que deveriam ter permanecido integralmente preservados.”

Uma das situações no agronegócio na Amazônia são os casos de grilagem. Segundo o INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) grilagem “é a ocupação irregular de terras, a partir de fraude e falsificação de títulos de propriedade. O termo tem origem no antigo artifício de se colocar documentos novos em uma caixa com grilos, fazendo com que os papéis ficassem amarelados (em função dos dejetos dos insetos) e roídos, conferindo-lhes, assim, aspecto mais antigo, semelhante a um documento original. A grilagem é um dos mais poderosos instrumentos de domínio e concentração fundiária no meio rural brasileiro.”

Vale salientar, também, os estudos da RAISNG (Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada) apontam 453 garimpos ilegais na Amazônia. A extração de minério é uma atividade econômica que precisa de regularidade, por causar impactos ambientais caso realizada irregularmente. Além de acontecer em áreas de preservação, há casos em terras indígenas.

Todos os problemas apresentados acarretam a poluição do meio ambiente amazônico. Redução da cobertura vegetal diminui a produção pelas árvores e outras plantas do oxigênio (O2) e as nuvens de água, responsáveis por reduzir a presença de gases poluentes como o gás carbônico (CO2) e amônia (NH3) na atmosfera. Além de garantir a qualidade de vida humana, as áreas de preservação garantem a sobrevivência de milhares de espécies, como animais terrestres, aquáticos e marinhos. Retirar deles seus hábitats naturais é reduzir a existência desses animais, os quais ajudam no funcionamento de ecossistemas. Portanto, é necessário reconhecer a importância do combate à poluição da fauna e flora amazônica, respeitar as leis de preservação ecológica e o ensino de ecologia integral à população.

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