O Círio para Macapá

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Os católicos de Macapá e Mazagão tradicionalmente iam passar o Círio em Belém. Como, na grande maioria, eram pessoas pobres, o prefeito, vereadores e comerciantes mais abastados favoreciam o deslocamento delas até a capital paraense.

Com a queda do preço da borracha e de outros produtos, a situação econômica de Macapá e Mazagão ficou abalada. As prefeituras poucos arrecadavam e o governo do Pará não as auxiliavam.

Em 1934, cansado de ser pressionado para mandar devotos a Belém, o intendente Major Eliezer Levy, membro da Comunidade Judaica do Pará, propôs a diversas pessoas e ao padre Felipe Blanck, a realização do Círio de Nazaré, em Macapá. Sua proposta foi bem aceita e a data definida: 4 de novembro, um domingo. Na sala de audiência da Prefeitura Municipal de Macapá, foi eleita a primeira diretoria da festa.

Juízes de Honra: Joaquim de Magalhães Cardoso (interventor do Pará), Abel Chermont e Clementino de Almeida Lisboa Levy, (deputados do Pará), Moisés Eliezer Levy, (prefeito de Macapá), Acilino de Leão Rodrigues (médico, literato, professor e político), que exercia suas atividades em Belém e, à época da festa, era deputado.

Diretoria: padre Felipe Blanck (vigário geral de Macapá), João Gualberto Alves de Campos (Juiz de Direito), Jovino Dinoá (Tenente-Coronel, coletor federal e fundador do jornal ”Correio de Macapá”), Clodóvio Gomes Coelho (político e comerciante), José Maria de Sant´Ana (segundo faroleiro de Macapá), Vicente Ventura (comerciante), Secundino Braga Campo (comerciante e politico).

Diretoria Auxiliar: Joana Dinoá Venina Costa, Ecild Leite da Fonseca, Izabel Serra, Eulália Oliveira, Davina Mendes, Palmira Mendes Coutinho.

A Matriz de São José não possuía imagem de Nossa Senhora de Nazaré, razão pela qual a Igreja solicitou a única existente na cidade que pertencia à tradicional família Serra e Silva. Como berlinda foi usada um velho automóvel, devidamente adaptado.

A Comissão Organizadora ocupou-se das obrigações religiosas, ornamentação do arraial e construção de barraquinhas.

Por Nilson Montoril de Araújo

 

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