Um Círio aos Moldes de Portugal

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Após o sermão do padre Monteiro, Dom Evangelista declarou que todas as terras da Província do Grão-Pará, estavam sob a proteção da Virgem Maria. Dias depois, solicitou a Dona Maria I, rainha de Portugal e ao Papa Pio VI, autorização para a realização anual de uma grande festa religiosa, segundo o ritual litúrgico. O pedido foi renovado, 14 anos depois por dom frei Caetano Brandão, sucessor de dom Evangelista. Em 14 de setembro de 1790, o papa concedeu a permissão, frisando que a festa deveria ser realizada de acordo com a tradição portuguesa.

O primeiro Círio, na forma preconizada pelo Papa, aconteceu em 8 de setembro de 1793, sob o patrocínio do governo da província do Pará. O governador Francisco de Sousa Coutinho observou que em outubro de 1790, ano de sua posse, centenas de moradores do interior e grande parte dos que residiam em Belém, iam a casa de Antônio Agostinho, substituto de Plácido (já falecido), para render homenagem à Virgem. Propôs, então, a formação de uma Comissão que, com a ajuda do povo construiu nova ermida.

O governador determinou que se realizasse uma feira geral, nos fins de setembro de cada ano, no largo da ermida de Nossa Senhora de Nazaré. Assim no dia 8 de setembro, à tarde, teve início o primeiro Círio, seguindo o mesmo roteiro de hoje. A disposição inicial do Círio era: 1.932 soldados da força militar seguidos pelos vereadores da Câmara de Belém e de outros municípios, inclusive Macapá e Mazagão, por outras autoridades. A imagem foi conduzida pelo capelão José de Moura, no palanquim, a cujos lados iam o governador e o vigário geral José Monteiro Noronha. Logo atrás, seguia a multidão. Depois da romaria, foi celebrada a Missa e assentada a pedra fundamental da Igreja nova.

No arraial, via-se os marchantes de Marajó e Caviana que levaram gado e pequenos animais; os plantadores de Macapá e Mazagão, com grandes balaios de cacau e castanha. Produtores de Santarém, Cametá, Macajuba, Acará e de outras localidades vendiam guaraná e outros produtos regionais.

Por Nilson Montoril de Araújo

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